Estudos Biblicos

Nossa estranha normalidade

Imagine a cena: você está andando de manhã, indo para o trabalho ou para a escola e vai passando pelas pessoas conhecidas da vizinhança, com as quais está acostumado a falar sempre, cumprimentando com um “Olá!” e um “bom dia”. Todos sempre lhe respondem e desejam também o mesmo à você. Quando você pergunta às pessoas: “Como vai?”, elas sempre respondem: “Tudo bem!” Mas num desses dias você se depara com um vizinho e ao fazer essa pergunta ele diz: “Não, não está tudo bem!” Nossa! Que choque. Já reparou que não estamos prontos para ouvir essa resposta? Não é normal. Geralmente esperamos que a pessoa sempre responda positivamente e quando a esperada resposta não vem, ficamos até deslocados e nos falta o que responder. E o que dizer ainda das pessoas que pedem nossas opiniões, mas inconscientemente estão pedindo na verdade nossa conivência. Isso é problemático, eu sei (risos). É claro que podemos até ser sinceros com elegância, respeito, mas verdade seja dita: em geral as pessoas não estão preparadas para ouvir a verdade sincera do opinante. Nesse sentido, se você é desses que fala a verdade ao expressar seu parecer, acaba sendo excluído de alguma forma. Não é muito normal fazer isso. Mas pense agora em como isso é estranho, sim, em como essa normalidade é esquisita: as pessoas pedem sua opinião em alguma situação, mas não estão preparadas para ouvir o que não lhes convém. Geralmente somos assim. Então porque perguntamos? E essa estranha normalidade está também dentro de nossas igrejas. Ela nos levou, por exemplo, a concluir que espiritualidade mesmo é aquela que é manifesta por gritos, rodopios, brados de línguas estranhas, etc., aquilo que é externo, visível. Quando alguém não atende esses requisitos, é visto como exceção, “anormal”, pois o normal, pelo menos para o bom pentecostal, é ser assim e quem foge à regra, é porque “não entrou no mistério”. Mas, como alguém já disse, “avaliar o caráter é sempre mais difícil que avaliar a aparência”. E de fato, “depois de muitos quilômetros de percurso se conhece a resistência de um maratonista, e depois de muitos anos de convivência se conhece o caráter de um homem!” Somos muito atraídos por aquilo que está dentro do nosso círculo sócio-afetivo-emocional e que faz parte do nosso cotidiano, mas acabamos com isso julgando equivocadamente as pessoas e situações. Nesse sentido, nossa normalidade acaba por excluir as pessoas. Seja sincero: quantos amigos verdadeiros você tem que discordam de você várias vezes? Ou que não seja da sua denominação? E digo mais: não é também muito normal termos amigos não crentes, afinal, “o crente não deve se misturar com o mundo”. Você, crente, quantos amigos não crentes tem em seus relacionamentos? E a normalidade das nossas igrejas também faz o mesmo! A normalidade das nossas igrejas muitas vezes é tão local que nos comportamos como se o Reino de Deus estivesse restrito apenas à nossa igreja local, de modo que quando um irmão se transfere para outra igreja, nem o cumprimentamos mais com a “Paz do Senhor” (e olha que essa paz é gratuita e bate e volta!). E o que dizer daquele que entra no templo e não está vestido conforme a normalidade da igreja local (mesmo que decentemente). Geralmente, sofre algum tipo de discriminação, afinal ele não está encaixado nessa normalidade.

 

Se olharmos para Jesus, no entanto, veremos que Ele fugiu bastante à normalidade de seu tempo escandalizando assim a sociedade de seu tempo. Ele fugiu à normalidade do “olho por olho” e “dente por dente”, do sentar-se apenas com pessoas “santas” e “puras” e jamais sequer ser tocado por pecadores imundos. Ele fugiu da normalidade de só estar com pessoas que faziam parte dos círculos sociais aceitos como normais. Ele entrou na casa de um publicano, Zaqueu, homem indesejado pela sociedade judaica, algo nada normal para um judeu comprometido com a liberdade de Israel. Ele conversou com uma mulher e pior ainda, Ele conversou com uma mulher que era samaritana. Se já não era normal para um homem conversar com uma mulher, muito mais ainda sendo ela samaritana, povo odiado pelos judeus. Nesse sentido, o Mestre foi bem anormal!

 

Infelizmente, diante dessas e de outras atitudes mencionadas aqui, temos gerado uma normalidade que acaba por excluir, afastar as pessoas, levando-as para longe de nós. Penso que o ser humano precisa ser ganho, e ganho pela verdade, pelo testemunho, pela convivência que exala Cristo à elas! Como faremos isso se exigimos que as pessoas venham e se encaixem em nossos padrões para só então recebê-las? Oferecemos às pessoas uma aceitação que é exigente, rigorosa, impositiva. Esquecemo-nos que o cristianismo e o amor ao próximo devem ser radicalmente “anormais” e inclusivos, não condizentes com o pecado e o erro, mas receptivos e calorosos ao pecador. A verdadeira vida de serviço só se dá quando há voluntariedade. O verdadeiro servo, portanto, precisa querer ser servo. O cristianismo cresce por adesão voluntária e não por imposição!

Assim, se ser normal significa excluir as pessoas, prefiro ser anormal! Lembremo-nos que na parábola do Bom Samaritano o que Jesus está ensinando é que o nosso próximo não é aquele que está próximo de nós, mas é aquele de quem nos aproximamos! Nada normal isso, hein! Pense nisso, crente.

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